”Queria poder voltar no tempo. Não pro dia em que te conheci, ou pra quando você me beijou pela primeira vez. Não pras tardes ao seu lado, ou as madrugadas em claro com você. A vontade é de voltar pras nove da noite daquela terça fria, quando você me mandou mensagem no celular. Não lembro exatamente as palavras, ou como tudo terminou. Sequer lembro o que eu te respondi direito. Lembro a tua intenção, que continuou a mesma por tanto tempo e só eu não vi. Você, do seu jeito único, me pedia para não me apaixonar. Para não entrar de cabeça no que mal havia começado, pra não imaginar um futuro pra algo possivelmente momentâneo e sem significado. A minha inocência, sua falta de decência e como tudo tinha começado, ofuscaram tudo. Me deixaram cega, me enganaram. Menti pra você e pra mim, dizendo em alto e bom tom que eu me sentia exatamente igual à você, vazia. Cheia de vontade de viver o agora, o não calculado, sem planos, sem sentimento, sem amor. Continuei me comportando como alguém que assim como você, não estava interessada em muita coisa, só pelos próximos momentos. Momentos que hoje, não saem da minha mente, me inundam cada vez mais e que fazem com que eu me sinta do tamanho de uma ervilha. Gostaria que você algum dia tivesse entendido. Que em algum minuto desse um ano meio você tivesse pensado o efeito que teve e ainda tem. Que, mesmo sem eu ter que te pedir, você desse a mão pra mim na rua, oferecesse um abraço no frio, sei lá, tivesse mais atitude. Se eu pudesse ter um poder hoje, seria o de ter terminado tudo aquela noite da mensagem. Eu não te conhecia direito, não sairia perdendo, nem seria tão ruim. Você não teria se magoado, eu não estaria quebrada em pedaços implorando por superação todos os dias. Se eu tivesse tudo claro naquela hora, naquela terça. Quem sabe o que teria acontecido. Eu não teria me apegado aos seus traços, ao seu carinho, ao seu jeito. Ao seu mau humor, seu charme, seu corpo, seu nome. Você não seria meu pensamento 99% do tempo, não ocuparia um espaço tão importante nos meus textos, nos meus sonhos e futuros. Eu seria diferente, e de certa forma, acredito que você também. Talvez, se nada dessa loucura toda tivesse acontecido, você estaria totalmente do jeito que é hoje. Talvez, o impacto que você teve sobre mim nem se compare ao que tive sobre você. Mas, sabe de uma coisa? Eu duvido. Do fundo da minha alma eu acredito que nossos caminhos tinham que ter se cruzado em algum momento. Por mais que nós sejamos tão diferentes, tão parecidos em algumas situações. Por mais que nada pareça fazer sentido, algo oculto ainda me deixa razões pra te guardar do meu lado esquerdo. Talvez, hoje seja amor. Talvez, o que eu sinta em relação à você não seja mensurado em números, em quilometros e muito menos em palavras. Mas, eu sei que existe algum motivo. Que não foi por acaso. Amanhã eu não consigo prever. Não consigo dizer se vamos ser estranhos nos encontrando daqui a dez anos numa festa qualquer ou se vamos comemorar algum aniversário juntos. Eu não sei. Sinceramente, nem me interessa saber. Me resta te guardar sem rancor, que não leva e nunca nos levou a nada. Me resta, continuar acreditando que juntos ou não, em contato ou não, você passou por mim e marcou. Machucou, me fez crescer, aprender. Me fez ver coisas que sozinha eu não conseguiria. Você apareceu no meu caminho e eu ainda não sei porquê. Talvez eu nunca saiba. Talvez, você nunca me entenda. Mas agora, eu entendo. Eu não posso voltar no tempo, mudar o passado, responder aquela mensagem. Eu não posso. Você também não. O que você pode, é olhar nos meus olhos pela última vez e tentar entender essa bagunça que um dia se apaixonou por você. Te peço que não tenha raiva, indiferença, medo. Só me olha. Só tenta entender o que eu nunca consegui te dizer. Só guarda também, bem lá no fundo. Só não me esquece. Só me olha, mais uma vez… ” (FS)





